É hora de diminuir o volume

Por Damyhonn Paulino em 24/04/2010 s 15:12

Hoje em dia virou febre. Com exceção daqueles chatos que imaginam estar abafando ouvindo Aviões do Forró nas alturas com seu ‘ultramoderno’ celular com mp3, é raro andar por aí e não ver alguém colado com seu fone de ouvido. A má notícia é que isso tudo é extremamente prejudicial. Tanto me obrigar a ouvir Aviões do Forró quanto expor seus ouvidos a doses cavalares de decibéis.

Especialistas consideram que 80 decibéis é o volume máximo tolerável por nossa audição e estudos comprovaram que ouvir frequentemente sons acima de 85 decibéis já causa perda auditiva considerável. O problema está exatamente na frequência e no volume do que se ouve. A maioria dos MP3 players atuais possui um volume máximo em torno de 120 decibéis. Isso indica que ouvir estes aparelhos no volume médio expõe seus ouvidos a um volume por volta de 60 ou 70 decibéis, o que é tolerável. Como a maioria das pessoas utiliza seus fones justamente quando estão fora do silêncio de suas casas, para ouvir (e entender) a música é necessário competir com o som ambiente.

Um agravante é que a maioria das pessoas que já sofreram algum tipo de dano auditivo causado por essa exposição exagerada ao alto volume sequer sabe disso e, quando se convencem de que precisam procurar ajuda médica, a perda auditiva já está em estado avançado e não existem medicamentos ou cirurgias capazes de reverter o quadro. Outro problema é que o dano inicial é praticamente imperceptível. Não dói, não coça, não arde, não deforma. Por isso a demora no diagnóstico.

Lendo alguns estudos sobre este fato, me chamou atenção a afirmação de que nosso cérebro é programado para se adaptar ao som que estamos ouvindo, seja ele alto ou baixo. E este fato eu mesmo comprovei. Lembro-me de várias vezes em que após sair de algum show em que eu estava perto demais das caixas de som perceber só em casa que estava quase que totalmente surdo. É o que ocorre também com pessoas que andam um dia inteiro de carnaval ao lado do trio elétrico. Aquele som foi ajustado pra atingir centenas de metros de distância, imagine então estar a poucos centímetros. Seria uma tortura se nosso cérebro não se ajustasse. O problema é que isso prejudica de forma irreversível nosso aparelho auditivo.

Mas apesar dos riscos, ouvir MP3 não causa danos à audição se tudo for feito com bom senso e sem exageros. Existem alguns testes simples que podem ser usados para saber se está ou não exagerando na dose de decibéis. Tente conversar com alguém enquanto estiver ouvindo música. Caso não consiga ouvi-los, o volume está alto demais. Outro teste sugerido é desligar o aparelho quando estiver na rua, no volume que estiver no momento, e só tornar a ligá-lo quando estiver no silêncio de sua casa. Se o volume for incômodo é sinal que está exagerando também.

Hoje em dia eu evito aumentar a mais da metade o volume de qualquer aparelho em que eu esteja ouvindo através de fones intra-auriculares. Caso o som ambiente esteja demasiadamente perturbador, prefiro desligar o aparelho. Competir com a barulheira só aumenta o problema. É uma recomendação que eu faço também. São atitudes simples, mas que podem trazer um benefício futuro incalculável.

Com dados do JB Online

Recife à Noite – 23 a 25 de abril

Por MAIS QUE NADA em 24/04/2010 s 7:00

SHOWS E BOATES

Sexta-feira (23/04)

  • Audrey – Sexta de Lay com Madeira Delay e Banda Las H R$ 30 / M R$ 20;
  • Caravelas Café – Midnight Man Blues – Blues, cerveja e Recife Antigo – H / M R$ 5;
  • Club Nox – La Noche Latina com Alma Latina, Maestro Spok e Djs – H R$ 30 /M R$ 20;
  • Dona Carolina – Time Machine toca clássicos 80′ s e 90’s – H R$ 30 / M R$ 20;
  • Downtown Pub – Sexta Pop Dance com banda Discoteque – H R$ 20 / M R$ 15;
  • Manhattan Café – Tim Maia Cover – Mesa pra 4 pessoas R$ 180;
  • The Pub – Thanks God is Friday traz Bora Johny e OnlyStones – H R$ 25 / M R$ 15;
  • UK Pub –Tio Fred e Dj – H R$ 30 / M R$ 20;

Sábado (24/04)

  • Audrey – Authentic House com Discotheque e Papaninfas - H R$ 30 / M R$ 20;
  • Club Nox – DJs Bruno V. e Leo B.  – H R$ 30 / M R$ 20;
  • Conselheiro Bar - Clube do Samba com Padang - H R$ 25 / M R$ 20;
  • Dona Carolina - Big Big Samba Club, Madeira Delay e DJ – H R$ 30 / M R$ 20;
  • Downtown Pub Tributo a U2 com banda Papaninfa – H R$ 20 / M R$ 15;
  • Manhattan Café – Tim Maia Cover – Mesa pra 4 pessoas R$ 180;
  • Pedra de Toque – Banda Van Brothers - H / M R$ 20, com 50% revertido em consumação;
  • The Pub – The Wink e Club do Ben trazendo música black e samba - H / M R$ 20;

Domingo (25/04)

  • Casa da Moeda - Jazz ao vivo com a cantora inglesa Catherine & Contrabanda - H/M  R$ 3,50;
  • Downtown Pub – Rock Garage com The Keith, Pulovers, Diablo Motors e Underwars;
  • UK Pub – Madeira Delay e D’Breck - H R$ 30 / M R$ 20;

TEATRO

  • Madleia – Com direção de Carlos Bartolomeu e texto de Henrique Celibi, a mais recente montagem da Cia. do Chiste dialoga com Medéia, de Eurípedes, e Joana, de Gota D’Água. - Teatro Hermilo Borba Filho - Sáb e Dom / 20hR$ 10 e R$ 5 (meia)
  • O Fio Mágico – Com direção de Marcondes Lima e texto de Carla Denise, o espetáculo conta a história de Gèrard, um menino impaciente que recebe o dom de adiantar o tempo manipulando um fio. A ação acontece na primeira metade do século XX. – Teatro Hermilo Borba Filho - Sáb e Dom / 16hR$ 10 e R$ 5 (meia)
  • Carícias – Com direção de Leo Falcão, o espetáculo apresenta uma viagem através dos relacionamentos do homem urbano contemporâneo ao revelar situações limites das relações afetivas e comunicação humana. -Teatro Marco Camarotti – Sesc Santo Amaro - Sáb e Dom / 20hR$ 15 e R$ 7,50 (meia)
  • Cordel do amor sem fim – Com direção, cenografia e produção de Samuel Santos e texto de Claudia Barral, o espetáculo mostra o amor no seu sentido mais amplo em consonância com o tempo. - Teatro Barreto Júnior - Sex / 20hR$ 15 e R$ 7 (meia)

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Aqui jaz todo mundo

Por Gerson Quirino em 23/04/2010 s 17:30

Este blog deveria se chamar In Memoriam – sobre quase tudo, por falar tanto de quem já morreu. Tenho um mórbido interesse por quem já se foi e, convenhamos, os vivos de hoje andam muito apáticos… Pra não perder o costume, lembro aqui um dos dias mais tristes pra história da literatura: 23 de abril de 1616, há exatos 394 anos.

Faz muito tempo, é verdade, mas nem por isso se pode esquecer do falecimento de dois dos maiores escritores do planeta: Miguel de Cervantes e Willian Shakespeare. É estranho pensar que no mesmo exato dia se foram os maiores escritores vivos da época. É quase tão catastrófico como se morressem hoje Saramago e Gabriel Garcia Marquez ou, na música, como se John Lennon e Elvis Presley deixassem a vida no mesmo instante.

Pois bem, foi exatamente isso o que aconteceu naquele 23 de abril.

Shakespeare era inglês, Cervantes espanhol. O inglês escrevia tragédias, o espanhol contava utopias. O trágico falava de amor e traição, o utópico, de aventuras. O romântico usou venenos, o aventureiro, os fracassos. Ambos escreveram conflitos internos e lutas desleais na nobre tentativa de encontrar o que se chama felicidade. Foram, juntos, mestres da literatura e criadores de uma das essências da cultura ocidental: o romantismo.

É difícil mensurar a quantidade de publicações, edições e tiragens de seus livros, mas alguns estudiosos acreditam que apenas suas maiores obras juntas, Dom Quixote e Romeu e Julieta, ultrapassam a propagação da própria Bíblia cristã, até os dias de hoje.

O Mais Que Nada recomenda a leitura destes e de outros grandes que foram, e ainda são, referência de leituras que, dentre outras coisas, também são capazes de nos transformar.

In memoriam – e misturando artes – os deixo com a versão genial de Romeo and Juliet de Dire Straits, cantada por The Killers, direto dos estúdios de Abbey Road.

p.s.: desconsiderei o diferença da adoção do calendário gregoriano entre Espanha e Inglaterra. É bem menos poética a verdade que os dois morreram, de fato, com 10 dias de diferença.

Mané, nem o Garrincha se deu bem

Por Gustavo Massud em 23/04/2010 s 12:15

Eu queria começar falando que não sou nenhum santo, mesmo que alguns dos meus amigos me considerem uma pessoa boa, até demais. Não sou puro e não sou hipócrita. Passa pela minha cabeça todos os pensamentos socialmente reprováveis. Porém, não tenho coragem de colocá-los em prática. Questão moral mesmo e de falta de atitude também.

Mas com o tempo passei a aprender certos traquejos da vida que me fizeram questionar essa minha falta de atitude. Até que ponto ser “bonzinho” demais é benéfico para mim? Eu acredito no conceito budista (acho que hindu também) do karma, se você faz uma coisa ruim, isso acaba retornando pra você de forma equivalente. É aquela coisa manjada do mundo dar voltas. Bem, eu sempre acreditei nisso, mas será que isso é mesmo verdade?

Quantos exemplos eu tenho pra dar de pessoas que tiveram atitudes extremamente éticas e se deram bem na vida? Eu digo se dar bem mesmo, aquela que você olha como exemplo, como se fosse uma meta para os outros. Não vale citar Gandhi, nem Madre Tereza. Esses sempre lutaram por uma coisa maior. Estou falando de pessoas eticamente corretas, que travam lutas em suas próprias vidas, para suas famílias. São poucas.

Sério, eu vou falar de dinheiro que é uma coisa tangível. Acredito que exista felicidade sem dinheiro demais, mas isso é inerente ao ser humano. Você poder ser feliz morando na rua e uma pessoa depressiva morando numa mansão. Entretanto, quantas pessoas a gente conhece, ou já viu passando perrengues financeiros, que batalharam a vida toda, não passaram por cima de ninguém e não conquistaram o que queriam? E quanto aos outros que não tiveram a mesma ética e se dão bem? Estão montados na grana, muitas vezes esbanjando e humilhando esses que trabalham duramente por uma vida.

Nos próprios filmes e novelas aqui do país, o malandro sempre é o que se dá bem. O bandido é visto como um mito, salvador do povo pobre. É o Robin Hood da nova geração, só não distribuem os louros. Mas ele não rouba de magnata inescrupuloso, bandido rouba de gente simples e batalhadora. Quem é rico está no seu condomínio ou carro de luxo, protegido por segurança melhor que cofre de banco. Agora, gente que batalha é obrigado a conviver com revólver na cabeça e trocar a vida por uns trocados, como se a vida tivesse valor. Não tem, são trocados que farão diferença não só na vida do ladrão, mas principalmente na vida da vítima que precisa pagar as suas contas e convive com o medo de uma sociedade que não respeita nem os seus iguais.

Que tipo de Robin Hood desvirtuado é este? Que mundo é esse que recompensa a malícia em troca da ética? Onde estamos com a cabeça quando elegemos um político extremamente ignorante ou incompetente, só para termos a nossa fatia da aristocracia parlamentar do Brasil? Será que o Brasil virará o país do “jeitinho”? Será que a criatividade brasileira só serve para o mal?

Eu não sei as respostas para isso e tenho receio de saber. Eu tenho muito medo do que me aguarda no futuro. Sendo “bonzinho” do jeito que sou, onde eu vou conseguir chegar com ética e moral? Não sei mesmo e acompanhando os exemplos que são vistos todo dia pelos meios de comunicação, acho que eu só vou ter algum futuro interessante se mudar minha postura e agir com malandragem. Como já dizia Bezerra da Silva: “malandro é malandro e mané é mané”. É a triste realidade brasileira e hoje eu sou um mané.

Like a Rolling Stone

Por Gerson Quirino em 22/04/2010 s 8:35

Quis te ter como se mostra, ver como você é, bruta pedra

Pedra de amarelinha ditando passos, pulos, risadas que dão ao céu

Pedra de estilingue que faz ruir os vidros das janelas de casas que sempre sonhei morar

Você, Pedra do Reino do Ariano

A de Drummond, bem no meio do meu caminho

A primeira pedra em Madalena. Nobre. Profunda

Te vejo pedra

Pedra bruta

Bruto amor do menino nazista com a pedra atirada com fé no judeu

A poderosa, de Davi em Golias

Preciosa

Pedra de gelo que afunda navios

Pedra de luz no céu se desdobrando em desejo toda vez que se vê

Te amo assim e chego a me sentir pedra também

Uma pedra sem graça. Sem pó. Sem só

A pedra que um dia disseram ser meu coração e eu feliz sendo tão humano

Minha pedra que, ao se juntar a tua, constrói escadas longas que dão ao céu que você desenhou com giz

Lá  o que não é nosso são apenas pedras, sobre outras pedras

Sobre tantas pedras que se confundem o amor com tudo o que há em nós

O filme perfeito para o feriado imperfeito – O Brother, Where Art Thou?

Por Gustavo Massud em 20/04/2010 s 17:06

Chegou o dia 21 de abril. O dia em que saudamos aquele barbudo que morreu por nós. E não é Jesus. O barbudo de quem eu falo é Joaquim José da Silva Xavier, vulgo Tiradentes. Mas ironias do destino acontecem e calhou do feriado cair no meio da semana. Não podemos emendar até o sábado e ainda teremos que trabalhar na quinta. Então, viajar não é uma possibilidade. O que nós fazemos em situações drásticas como essa? Alugamos um filme.

Hoje vou dar a dica de um filme que, se não tem a cara do feriado, é, no mínimo, divertido: “E Aí, Meu Irmão, Cadê Você?” (O Brother, Where Art Thou?, 2000).

Obra do irmãos Coen, o filme foi inspirado na clássica Odisséia de Homero (o grego, não é o Lacerda do Sport Recife). Tudo começa com três amigos que fogem da cadeia e agora terão de correr atrás da liberdade e reconstruir suas vidas. Não necessariamente nessa ordem.

A fita conta com George Clooney, atuando com um sotaque engraçadíssimo e com o queridinho dos irmãos Coen, John Turturro.

Nada parece impossível de acontecer na história, desde um profeta cego que passa pela vida dos três foragidos, até um batismo para lavar alma de todos os seus pecados. Ficam ricos, ficam pobres, tudo na base do nonsense total. Mas o gostoso do filme está na trilha sonora. Os ex-prisioneiros encontram um músico negro que (especulam) vendeu sua alma ao diabo e formam um grupo (Soggy Bottom Boys) que passa a fazer sucesso por toda região. A música que eles cantam é Man Of Constant Sorrow do Bob Dylan, numa versão country bem legal. Não precisa dizer que só por isso o filme já merece ser visto.

Trabalho dos irmãos Coen geralmente não é fácil de gostar. Mas acho esse um dos seus filmes mais simples, se posso assim dizer. Talvez um dos que tenha a maior amplitude de público e todos podem desfrutar sem problemas. No final do filme eles fazem uma apresentação com uma barba postiça. A barba até se assemelha muito a de Tiradentes (assumo que forcei agora). Uma colherzinha de chá, como é de praxe:

Como escolher e comprar um bom computador

Por Damyhonn Paulino em 20/04/2010 s 13:08

O que pesa pra você na hora de escolher o novo computador de sua casa? Preço? Processador? Tamanho do monitor? Farei aqui uma abordagem sobre alguns erros clássicos, mitos e dúvidas que acompanham milhares de consumidores todos os dias. Guarde bem esse tópico em seus favoritos. É bem provável que em algum momento você, algum familiar ou amigo precise destas dicas.

Em primeiro lugar, ao escolher seu novo computador doméstico esqueça promoções e não caia em papo barato de vendedor. Essa história de sair correndo pra seção de informática do Extra quando o vendedor anuncia no microfone a promoção relâmpago de um PC Core 2 Duo que acabou de baixar R$ 500,00, é furada. Sim, a tentação pode ser grande, mas desconfie do Bom e Barato. Geralmente você só ganha um B nestes casos. E acredite no que falo, é raro demais um computador desses ter vida útil maior que dois anos.

A primeira coisa que se deve ter em mente antes de comprar um novo computador é analisar bem sua finalidade. Esta é a dica mais importante. Não há necessidade de investir em um computador com processador top de linha se a única utilização vai ser navegação WEB e elaboração de trabalhos escolares. É desperdiçar dinheiro.

A segunda coisa a ter em mente é ‘onde comprar’. Levando-se em consideração que estas dicas são para a compra de um computador de mesa e não um notebook, meu conselho é que o melhor custo-benefício surge quando o cliente escolhe cada peça do computador separadamente. Na maioria das lojas de informática isso é extremamente simples de se conseguir, contanto que o cliente possua um mínimo de conhecimento (ou este tópico impresso em mãos). Caso não queira se aventurar em escolher cada peça separadamente, aqui vai um conselho: fuja de marcas genéricas (CCE, Positivo, Megaware, Qbex, Sunsix etc). Essas marcas se preocupam muito mais em anunciar preço baixo do que equipar a máquina com peças de boa qualidade. No Brasil eu recomendo as marcas: Dell, HP e Apple. Comprando um computador de uma dessas três marcas, a possibilidade de dor de cabeça futura é bem remota.

Agora vamos às dicas de quem quer personalizar seu PC e adaptá-lo a sua necessidade. Como já falei anteriormente, antes de ir às compras se pergunte qual será a finalidade do novo computador em sua casa. Jogos 3D, editoração eletrônica, aplicativos gráficos, navegação web etc. Geralmente quem precisa de um computador robusto sabe bem disso. Portanto, em caso de dúvidas, imagine que seu PC será básico e dê preferência a lojas que forneçam garantias maiores nas peças vendidas, isso é muito importante.

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Eu vim com a Nação Zumbi

Por Gerson Quirino em 19/04/2010 s 15:00

As poucas revoluções musicais no Brasil foram suficientes para nos revelar vários nomes que são considerados ícones representantes de nossa música. Como um movimento orquestrado de vários artistas, carregando motivações político-culturais, vimos nascer o Samba, a Tropicália, os antigos festivais de música que originaram a MPB, a Bossa Nova e outras tantas de menor expressão. Nessa leva, conhecemos Noel Rosa, Adoniran, Cartola, Chico Buarque, Caetano, Gil, Elis Regina, Tom Jobim, Rita Lee e vários outros que não caberiam aqui.

Porém, venho escrever aqui sobre outra revolução. A revolução feita por uma orquestra de um homem só. Um homem que influenciou uma nação da qual apelidou de zumbi, como o dos Palmares ou os mortos-vivos mesmo, simultaneamente e, em análise surreal, numa antítese simétrica entre tão vivos e quase mortos. Assim, Chico Science nos apresenta o Movimento Mangue ou Manguebeat, como queira.

Chico era um menino da periferia de Olinda, catador e vendedor de caranguejos. Movido pelo caos social a sua volta, se aproximou das obras do geógrafo social Josué de Castro pra tentar entender e minimizar sua realidade. Ao ler o exemplar de Homens e Caranguejos (1967) teve certeza que a lama era mesmo o seu lugar e nela uniria o som das alfaias do maracatu ao do overdrive da guitarra de Lúcio Maia, criando um som único até então. Teve grande ajuda de Fred Zero Quatro, Renato L., Roger e outros amigos.

Era o início da década de 90 e da banda Chico Science & Nação Zumbi. Um som pesado, que fazia vibrar o peito e deixava maluco o público que ia ao show e não encontrava disco gravado em lugar nenhum. Chico Science trouxe a ruptura de paradigmas que há muito não se via na música brasileira. Música pernambucana era sinônimo de forró, frevo ou o baião de Gonzaga. Em 94 foi lançado o seu primeiro trabalho. Da Lama ao Caos virou referência pra quem cantava a cultura pernambucana e criticava a sociedade e sua dinâmica cruel. Com músicas de pulso forte (seria de uma injustiça sem igual nomear as melhores), Chico abria os olhos do país para sons produzidos na lama da Manguetown, que era o quintal de sua casa. Afrociberdelia, lançado em 96, veio como presente pra todos que já escutavam a banda e só fez consolidar o potencial da Nação Zumbi.

“Cheguei com meu universo e aterriso no seu pensamento. Trago a luzes dos postes nos olhos, rios e pontes no coração, Pernambuco embaixo dos pés e minha mente na imensidão.”

Era a realização do sonho do Chico com raízes profundas. Do Chico que queria fazer um som tão rico quanto à biodiversidade dos mangues. Do sonho que deu seus primeiros passos em mesas de bares na Rua da Moeda ou na soparia de Roger.

Chico já se foi há 13 anos, mas deixou a Nação Zumbi como consolo a uma legião de caranguejos órfãos, que, no peito, ainda sente a constante saudade da batida do seu imortalizado maracatu atômico.

La belle de jour

Por Gustavo Massud em 19/04/2010 s 0:39

Ela tinha um rosto. Só preciso dizer isso. Não, quer dizer, ela tinha o rosto e um sorriso. Sabe aquele sorriso? Era aquele sorriso que contagiava, só o sorriso. Como quem chega em sua festa surpresa, de surpresa.

Ela tinha um rosto, um sorriso e um olhar. Era o olhar do céu, desconfio. Era o olhar do mar. Não era azul, nem verde, era só o olhar. O jeito de olhar, nada mais. Seus olhos se espremiam entre as pálpebras, quase como uma oriental. Mas não era oriental. Poderia ser… tudo ao mesmo tempo.

Ela tinha um rosto, um sorriso, um olhar e uma orelha. Isso mesmo, uma orelha. Ninguém repara em orelha, mas a dela era perfeita. Até nos seus defeitos, ela era perfeita. Delicadamente pontuda, para sair dentre seus lisos cabelos e mostrar que existe.

Ela tinha um cabelo também. Óbvio que tinha. Não era longo, nem era tão arrumado. Era curto e desleixado como se tivesse acabado de acordar. Era de uma cor que eu não sabia. Na verdade, sabia sim, era a cor de tudo que existe.

Ela não precisaria ter mais nada. Me contentaria só com isso. Mas ela tinha muito mais. Muito mais coisa do que eu precisava pra me contentar. Mas, por agora, eu só preciso dizer que ela tinha um rosto mesmo. E era o rosto, um sorriso e um milhão de outras coisas. A única coisa que não descobri é quem é essa mulher.

Supertramp? What Supertramp?

Por Damyhonn Paulino em 17/04/2010 s 16:47

Minha relação musical com o Supertramp tem uma particularidade interessante. Eu conseguiria tranquilamente montar uma lista de reprodução em ordem cronológica de todos os 11 álbuns de estúdio da banda e ouvi-los seguidamente sem passar uma música sequer. Isso não aconteceria com nenhuma outra de minhas bandas preferidas. Nem o Pink Floyd seria capaz de tal façanha. Sempre que acontece de olhar pra minha biblioteca de músicas e não saber o que escolher pra ouvir, …Famous Last Words… (1982) ou Crisis? What Crisis? (1975) salvam a pátria.

É muito provável que você já tenha ouvido em algum lugar esta música do álbum de 82:

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É difícil definir o estilo do Supertramp. E talvez seja exatamente essa peculiaridade que me fascina tanto. Existe certa neutralidade em suas músicas. Não é necessário, por exemplo, um estado de espírito específico pra começar a ouvir qualquer álbum. Esse também pode ser o motivo pelo qual eu nunca achei outro fã da banda com quem pudesse compartilhar algo. Já encontrei, porém, diversas pessoas que não titubearam em falar que a odeiam, que é um som muito ‘mamão com açúcar’, que falta uma guitarra de expressão, enfim. E, apesar de concordar com eles, sua música não deixa de me agradar.

Embora teoricamente na ativa, a popularidade da banda hoje em dia se restringe a grupos de fãs ou simpatizantes. Mas não foi sempre assim. Entre o final dos anos 70 e início dos anos 80 seu sucesso foi assombroso. O álbum Breakfest In America (1979) permaneceu por 10 semanas em primeiro lugar na parada da “Billboard” e 22 semanas no “Top Five” dos discos mais vendidos nos EUA (mais de 18 milhões de cópias em todo o mundo). Seus hits “The Logical Song“, “Goodbye Stranger“, “Breakfast in America” e “Take the Long Way Home” estiveram entre as músicas mais executadas nas rádios do planeta naquele ano.

A banda conta também com membros icônicos. Além dos consagrados líderes e mentores Roger Hodgson (que saiu da banda pra seguir carreira solo após o álbum …Famous Last Words…) e Rick Davies, o saxofonista John Helliwell é considerado um dos artistas mais carismáticos do showbiz. John conta que num certo show, pouco antes de subir ao palco, estava andando próximo do público quando um rapaz perguntou: “Será que esses caras são tão bons ao vivo quanto no estúdio?”. John respondeu: “Sei lá! Na verdade nem gosto muito deles!”.

Em pouco mais de 40 anos de carreira e 70 milhões de discos vendidos, o Supertramp inegavelmente marcou a história da música, emplacaram hits, influenciaram gerações. Sua versatilidade nas criações, aliada a belas letras e grande refino musical são características que colocam a banda em um patamar superior em minha opinião. Não é qualquer grupo que arrisca aventurar-se por tantos estilos e com tanta maestria, produzindo desde o mais refinado rock progressivo em seu início de carreira, passando pelo pop, blues e jazz em seus trabalhos mais recentes. Recomendo.

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