Chegou por e-mail #2

Por MAIS QUE NADA em 30/06/2010 s 9:28

Coisas de Mulher


Ela passou o primeiro dia empacotando todos os seus pertences em caixas, engradados e malas. No segundo dia, chamou os homens da transportadora que levaram a mudança. No terceiro dia, ela se sentou pela última vez na bela mesa da sala de jantar, à luz de velas, pôs uma música suave e se deliciou com uns camarões, um pote de caviar e uma garrafa de Chardonnay. Quando terminou, foi a cada um dos aposentos e colocou alguns pedaços de casca de camarão, besuntados com caviar, dentro das cavidades dos varões das cortinas (nos tubos ocos de alumínio). Depois, ela limpou a cozinha e se foi.

Mais tarde seu ex-marido chegou com a nova namorada, tudo estava muito bem arrumado, cheirando à limpeza. Depois, pouco a pouco, a casa começou a feder. Eles tentaram de tudo: limparam, lavaram e arejaram a casa. Todas as aberturas de ventilação foram verificadas à procura de possíveis ratos mortos e os tapetes foram limpos com vapor. Desodorantes de ar e ambiente foram pendurados em todos os lugares. A empresa de combate a insetos foi chamada para colocar gás em todos os encanamentos, durante alguns dias, os quais tiverem de sair da casa, e no fim ainda tiveram de pagar para substituir o caríssimo carpete de lã.

Nada funcionou.

As pessoas pararam de visitá-los. Os funcionários das empresas de consertos se recusavam a trabalhar na casa. A empregada se demitiu.

Finalmente, eles não suportavam mais o mal cheiro e decidiram se mudar.

Um mês depois, apesar de terem reduzido o valor da casa em 50%, eles não conseguiram um comprador sequer. A notícia se espalhava e nem mesmo corretores de imóveis locais retornavam as ligações.

Finalmente, eles tiveram de fazer um grande empréstimo do banco para comprar uma casa nova. A ex-esposa ligou para o marido e perguntou como andavam as coisas. Ele contou a ela o martírio da casa podre. Ela escutou pacientemente e disse que sentia muitas saudades da casa antiga e que estaria disposta a reduzir a parte que lhe caberia do acordo de separação dos bens em troca da casa.

Sabendo que a ex-mulher não tinha idéia de como estava o cheiro, ele concordou com um preço que era cerca de 10% do que valeria a casa, mas só se ela assinasse os papéis naquele mesmo dia. Em menos de uma hora, os advogados dele entregavam os documentos a ela.

Uma semana depois, o homem e sua namorada assistiam, com um sorriso malicioso, os homens da mudança empacotando tudo para levar para a sua nova casa… Inclusive os varões da cortina.

Circense

Por Gerson Quirino em 22/06/2010 s 13:12

Eu trabalho num circo. Sou o homem que abre e fecha as cortinas. Não se tem muito que fazer quando se é um movedor de cortinas, a não ser puxar uma cordinha e depois soltá-la toda vez que uma cena começa ou termina. Parece não ser divertido o que eu faço, mas pra mim é um grande mistério. Eu poderia viver de outros rendimentos porque sei carpintaria, mas prefiro ficar aqui observando tudo o que vejo do meu lugar. Conheço cada um dos personagens, tenho até decorado a fala deles de tantas vezes que já assisti ao espetáculo. Estranho é saber que aqui existem apenas interpretações. Quando as luzes se apagam, detrás da cortina, percebo que o espetáculo acaba de começar. Cada personagem volta a seu normal. É assim todas as noites. O domador abre um sorriso infantil ao se conciliar com Golias, o leão. O equilibrista magrelo se embriaga com os últimos goles de vodka e o palhaço, já com a maquiagem desbotada, se preocupa com as contas do mês e acende um cigarro olhando pro céu.

Essa magia da noite circense é o meu mundo, a magia que poucos conhecem. O barulho das risadas foi substituído pelo canto dos grilos intercalado ao som metálico da estrutura do palco sendo desmontada. Não se vê flashes e o pipoqueiro se despede contando o que deu pra arrecadar na noite. As maçãs-do-amor que sobraram perdem o brilho no escuro. Atrás dessa cortina vejo o mundo tomando as formas de um anjo negro ao cair da madrugada. As últimas luzes se apagam deixando na completa escuridão o circo dentro de cada um de nós.

Quando eu fecho as cortinas, o espetáculo maior começa ao som das palmas daqueles que pensam ter assistido a ele.

E agora, José?

Por Gerson Quirino em 18/06/2010 s 11:31

Hoje, 18 de junho de 2010, o mundo acordou mais cinza e triste com a perda do maior escritor da atualidade. Aos 87 anos, José Saramago se despediu de forma discreta e silenciosa, talvez como o fim da viagem do velho paquiderme que descreveu em uma de suas mais recentes obras. Tentar explicar o que os seus livros representam pra literatura mundial é certamente tão difícil quanto a realidade fantástica abordada em suas linhas. José Saramago tomou grande parte das minhas horas nos últimos anos e hoje me arrependo profundamente em não ter conhecido suas obras mais cedo. Livros como Ensaio Sobre a Lucidez (2004), Ensaio sobre a Cegueira (1995), As intermitências da Morte (2005) e o mais recente, Caim (2009) são referências de leituras inesquecivelmente prazerosas.

Dentro de nós há uma coisa que não tem nome, essa coisa é o que somos.

Saramago nasceu em Santarém, Portugal, apaixonado desde criança por obras clássicas da literatura, publicou seu primeiro romance aos 25 anos, em 1947, ano de nascimento da pequena Violante, sua filha. Terra do Pecado é considerada a porta de abertura para o reconhecimento da prosa escrita na língua de Camões. Teve título alterado pela editora, chamava-se A Viúva, mas não soava nada comercial. Na ânsia  de ver sua obra publicada, Saramago aceitou a mudança do nome e, contrariado, até pouco tempo não reconhecia o livro como seu, por considerar muito mal escrito e ter título “inventado por capitalistas”.

O editor achou que “A Viúva” não era um título comercial e sugeriu que se chamasse “Terra do Pecado”. Pobre de mim, queria era ver o livro editado e assim saiu. De pecados sabia muito pouco e, embora a história comporte alguma atividade pecaminosa, não eram coisas vividas, eram coisas que resultavam mais das leituras feitas do que duma experiência própria.

Após o primeiro romance, Saramago escreveu contos, poemas, ensaios teatrais, crônicas, críticas políticas, memórias e tudo o que se permitia escrever. Em 1995 ganhou o Prêmio Camões, máxima honraria da língua portuguesa, sem ter a idéia de que três anos mais tarde receberia o reconhecimento maior da literatura mundial. O Nobel de Literatura foi dado a José Saramago pelo conjunto da obra, “que, com parábolas sustentadas pela imaginação, compaixão e ironia continuamente nos permite apreender de novo uma realidade indefinível”.

A notícia de seu falecimento me arrebatou como uma ingrata surpresa. Em sua exorbitante modesta, Saramago dizia ser apenas mais um José da terra do poeta Camões. Eu diria um José de mente fantástica, porém nunca apenas mais um. Na minha intensa tristeza por este dia, penso que a morte, hoje, poderia ter feito mais uma greve - inventada por seu autor - e ter prolongado a vida do gênio introvertido que mudou a literatura mundial.

Todos sabemos que cada dia que nasce é o primeiro para uns e será o último para outros e que, para a maioria, é só um dia mais.

José Saramago

O Homem e a Maçã

Por Gerson Quirino em 14/06/2010 s 11:06

Às vezes parece que o mundo inteiro insiste em eleger alguns símbolos capazes de ditar os rumos de uma certa vertente social. Hoje, no mundo do empreendedorismo inovador, esse símbolo tem nome e sobrenome: Steven Paul Jobs.

Considerado como o Rei Midas do capitalismo, pelo seu poder de transformar em ouro tudo o que toca, é talvez o maior manipulador de desejos de consumo na atualidade. Fundador e diretor executivo da Apple, uma das empresas mais bem avaliadas pelo mercado consumidor, tem o poder de despertar novos sonhos e torná-los necessidades cotidianas.

Não fosse sua invejável perseverança, associada a um talento quase infinito, a história de Steve Jobs não seria tão diferente das tantas que se vê por aí. Jobs fez o que muitos não fazem por simples escolha ou medo: arriscar-se, buscar o imprevisto, seguir um caminho mais prazeroso sem ter a mínima idéia de onde exatamente ele vai dar. E foi exatamente assim que ele chegou onde queria.

Jobs não tem diploma universitário, preferiu não cursá-la por ser muito cara e dissolver a economia de uma vida inteira dos seus pais adotivos. Aos 20 anos, em sua garagem (tenho uma tese de que as coisas mais geniais do mundo nasceram numa garagem), ele criava a Apple Inc. que, 10 anos mais tarde, já tinha um patrimônio avaliado em 2 bilhões de Dolores pela revolução que causara com o lançamento do Macintosh, o primeiro computador com interface gráfica e interação organizada por janelas (windows?) e pastas. Antes do Mac, os computadores tinham interfaces por linhas de comando e quase não usava o intrometido recente mouse.

Sua saída da Apple foi conturbada por ter sido demitido da empresa que havia fundado (conselho diretivo de uma organização também serve pra isso). Jobs então, meio perdido, comprou a Next e a Pixar, e as transformou no maior e mais promissor estúdio de animação do mundo. Abrindo um parêntese a Pixar: às vezes me pergunto se esta empresa produz Oscars ao invés de desenhos. Procurando Nemo, Os Incríveis, Ratatouille, Wall-E e Up receberam a estatueta. Toy Story (1995) foi a primeira animação computadorizada e deu início a uma nova fase em filmes desenhados.

Eis que um dia, a tecnologia desenvolvida pela Next interessou à Apple e “numa sucessão de acontecimentos” a empresa da maçã comprou a Next e Steve Jobs voltou em grande estilo à casa que ele construiu. Hoje ele é reconhecidamente um dos maiores líderes que existe. Tendo no currículo produtos como iPode, MacBook Air e o iPhone, que são referência de tecnologia, qualidade e esmero inquestionáveis, Jobs é inegavelmente um dos grandes apontadores dos caminhos que tomou toda a indústria da tecnologia no final do século passado e no início deste.

Muito mais do que acreditar que a vida só encontra um sentido quando se faz o que ama, Jobs corroborou com a ideia de que o capitalismo pode sim ser guiado por valores subjetivos, sentimentais, e não somente pela ganância selvagem que é associada ao lucro das grandes empresas.

Abaixo, segue um discurso de Steve Jobs proferido em uma formatura de Stanford. É um pouco grande, mas, na minha opinião, é uma verdadeira lição de vida.

A Utopia da Felicidade

Por Damyhonn Paulino em 27/05/2010 s 19:10

Depois de quase três décadas de vida talvez ainda seja cedo para afirmar, embora considere difícil uma mudança de opinião num futuro recente. A felicidade é sim a maior das utopias. Tão efêmera que é incapaz de ser considerada um estado. Está mais para um momento.

Fonte de renda de tantas seitas, religiões, escritores, guias, gurus. Promessa para um sem número de desgraçados e ávidos por um sentido pra suas vidas, sua busca atrai exploradores de todos os tipos. A ideia de alcança-la é combustível para todo sistema que conheço. Seja qual for a sociedade, os meios podem ser diferentes, mas o objetivo sempre será o mesmo. Procuramos nos firmar como cidadãos, ter um bom emprego, casar, ter filhos, unicamente porque entendemos que seremos felizes assim.

Mas ela não existe. A felicidade como qualidade ou estado de quem é plenamente feliz é absolutamente impossível. Ao menos neste mundo. Como alguém pode afirmar SER feliz e continuar SENDO mesmo após ouvir, por exemplo, uma esposa desesperada gritando por socorro por acabar de testemunhar seu marido alvejado por dois tiros na cabeça? Como afirmar SER feliz sem saber o que pode vir a ocorrer no minuto seguinte de sua vida? Sim, porque o verbo SER é muito conciso. O que É não deixa de SER. Logo se alguém É feliz, ele SERÁ feliz, sempre. Este ser feliz, por exemplo, jamais irá chorar a morte de um parente, pois assim ESTARÁ infeliz, logo NÃO SERÁ mais feliz. Ao menos por algum tempo. E se NÃO FOI, não É. A lógica é simples.

Será então que está todo mundo buscando algo que não existe sem se dar conta disso? Improvável. Embora o discurso de correr em busca da felicidade própria seja uma instigante propaganda enganosa, os momentos de satisfação que as várias conquistas ao longo desse caminho proporcionam acabam valendo a pena. Por isso que não considero a existência da felicidade plena em si, mas posso compará-la a um baú onde guardamos diversos momentos de alegrias, instantes prazerosos em que podemos dizer ‘estou feliz’. Acho inclusive excepcional a minúcia da língua portuguesa neste ponto, pois diferentemente do inglês, a diferença é gritante entre o ‘ser’ e o ‘estar’.

O sentido de viver, portanto, em nada é afetado nesta minha constatação de utopia. Pelo contrário, a busca é exatamente pelo baú mais cheio.

O planeta fálico

Por Gerson Quirino em 26/05/2010 s 13:01

Não há idéia revolucionária ou fóruns de discussão pós-modernistas que possam ir de encontro ao conceito pétreo que dá nome ao título desse texto.

Não é um fato polêmico, acredito, por se tratar de um assunto tão universal desde os tempos remotos da aventura humana. Seria ilusão dizer o contrário e mesmo a mais feminista das mulheres tem de reconhecer isso como ponto de partida de sua ideologia: o mundo ainda é dos homens.

Escrevo esse texto me pondo à parte dessa discussão, tentando ser imparcial e comedido nos comentários, porque  sou bastante realista e nem um pouco machista, diga-se.

Vamos aos fatos.

Em quase todos os campos de atuação humana a figura masculina é a dominante. Seja dos maiores pensadores aos heróis de gibis. É só pensar que os grandes nomes que influenciaram a humanidade de alguma forma, em sua maioria, foram homens. Poderíamos discutir vantagens físico-biológicas que garantiram este reconhecimento, mas me atenho à história social, onde fico mais à vontade.

Os homens sempre garantiram a preservação e a continuidade da vida, através da proteção da família e conflitos diretos com as mais diversas ameaças (animais, climas, guerras, geografia etc), atingindo um status social mais importante que as mulheres, que se ocupavam com trabalhos mais amenos e, justamente por isso, menos valiosos para a evolução que considerava a força física mais importante.

Com o passar do tempo, essa consciência machista foi mudando de intensidade, ora mais acentuada (antiguidade), ora menos (renascentismo), mas nunca deixou de existir, talvez até inerente à condição humana, pela arrogância dos machos e, como revelam alguns estudos, pela passividade da fêmea em aceitar a superioridade do gênero oposto com naturalidade e submissão. Se não fosse essa submissão o ser humano não chegaria a este estágio evolutivo. É fato científico aceito. Homens e mulheres foram substituindo a força pela inteligência. O homem se sobressaiu porque a sociedade, que já o tinha garantido um lugar privilegiado, continuou a mesma. Dessa forma, o homem pôde pensar, filosofar e fazer ciência, enquanto as mulheres ainda criavam a prole. O tempo passou e elas, por nunca terem sido parte desse meio, ganharam taxações de menosprezo à inteligência, sendo vetadas em clãs, escolas, política e cultos religiosos (de que é formada uma sociedade além de ciência, política e religião?), tornando-se, aos poucos, uma figura puramente genitora.

O machismo do século XXI é mascarado através de um véu hipócrita. As mulheres fizeram em prol delas mesmas, queimando sutiãs em praças públicas e saindo às ruas protestando pelo direito à política e a uma cadeira no escritório. Se dependesse dos homens, ficaria tudo igual, como sempre foi. O fato é que, embora atualmente haja muita discussão e repercussão sobre temas feministas, ainda não são capazes de fazer um arranhão nessa estrutura sólida e com bases concretas que se construiu em 200 mil anos de história. A prova inconteste é que os homens – ainda que em proporções minimamente reduzidas comparada a outros tempos – continuam ditando os rumos da sociedade.

O feminismo foi criado apenas pra nivelar forças tão desiguais. Teve grande importância por tentar mostrar que as mulheres, em capacidade intelectual, não diferem dos homens. Mas, ao que tudo indica, será necessário ser feito muito mais, porque mudanças culturais são as mais lentas, sobretudo na escala proposta. Pela lógica da construção do machismo, teremos pela frente uns 200 mil anos para ver equilibrar a balança que ainda pende totalmente pro lado dos machos.

A ditadura da amizade

Por Gustavo Massud em 24/05/2010 s 14:20

Amigos são para a vida toda. Ninguém consegue viver sem um. Vale até promover o cachorro ao status de melhor amigo do homem. Comumente meus posts mais pessoais geram alguma polêmica, por diversas razões que não vale aqui citá-las. Doravante (andei lendo o dicionário) a minha divagação e voltando ao que falava, fico meio incomodado com alguns costumes em relação à amizade, principalmente aqueles referentes às obrigações de encontros entre amigos.

Eu não sou das pessoas mais comuns, principalmente pelo que conheço do perfil pessoal de alguns em Recife. Alguns dos meus amigos me consideram um cara underground e outros me consideram um playboy. Quer dizer, nem tentando me estereotipar eles conseguem me entender. Mas uma coisa comum a mim é sempre ter alguma opinião contraditória sobre determinado assunto. Eu gosto de incitar a discussão, principalmente quando sou confrontado.

Dia desses fui convidado por um amigo para participar de uma festa surpresa que ele organizou para a namorada. Não fui e nem me preocupei com isso. Talvez ele tenha feito o convite de maneira tão autoritária que, só pra contrariar, eu não fui. Daí, as reações que esta minha atitude gerou foram ferozes, uns diziam que eu era um fuleiro (não prometi em momento algum ir à festa), não tinha consideração nenhuma pela amizade, telefones desligados na minha cara, entre outros.

Vem cá, amizade quer dizer que o cara não tem direito de escolha? Que eu preciso estar presente em todos os momentos, mesmo contra a minha vontade? Tem gente que eu conheço há, sei lá, 18 anos e ouvimos as mesmas histórias sempre, damos gargalhadas e tudo. Não vai ser um dia sem se encontrar que vai fazer diferença. Mas existem dias que eu tenho uma coisa sem importância para fazer, que vira prioridade diante de uma festa surpresa da namorada de um amigo.

Se eu for dar assistência a todos os agregados, além dos meus amigos, não vou ter vida. Eu vou parar pra viver a vida dos outros sempre. Eu gosto de ficar sozinho, lendo, vendo filme, tirando catota, que seja. É o tipo da coisa que me faz gostar de ficar sozinho.

Adoro (não consigo dizer “te amo” para outro homem sem soar falso) os meus amigos, mas às vezes falta um pouco de flexibilidade da parte deles. Sou praticamente o único solteiro de um grupo de amigos e não me sinto tão carente quanto eles. Acho que só damos valor mesmo às amizades quando descobrimos que nosso melhor amigo é a gente mesmo. Não adianta você ter um “brother” capaz de lhe dar palavras de motivação se você não tiver na cabeça que realmente pode ser daquele jeito. Se não for assim, vai entrar por um ouvido e sair pelo outro, sem nenhum filtro de interpretações. Eu não tenho pretensão de ser um cara solitário, nem estou renegando minhas amizades. Entretanto como os grandes pensadores faziam, preciso de um tempo pra refletir sobre a vida, descansar, fazer coisas estúpidas enquanto ninguém me observa.

Recife à Noite – 21 a 23 de maio

Por MAIS QUE NADA em 22/05/2010 s 8:00

SHOWS E BOATES

Sexta (21/05)

  • Audrey - Sexta com Lay. Madeira de Lay & Banda Las – H R$ 30 / M R$ 20;
  • Bomber Rock Bar – Sexta Bomber. Dio Cover-PE, Pandemmy, Mors e Bad Shape – H/M R$ 7;
  • Caravelas - Midnight Man Blues – Blues, cerveja e Recife Antigo – H/M R$ 5;
  • Club Nox – We Love Fridays. DJ Caverna (house), DJ Rodrigo Ilino (tech house), DJ Mostarda (house), DJ Bruno Marques (trance) – H R$ 30 / M R$ 20;
  • Dona Carolina – Sexta pop roca. Only Stone, Bora Johnny & Dj residente – H R$ 30 / M R$ 20;
  • Downtown Pub – Sexta Pop Dance. Discoteque + participação especial da banda Mau Súbito – H R$ 20 / M R$ 15;
  • Francis Drinks – Sem Loção. DJs Original Copy, Rebel K e Lala K. – H/M R$ 15;
  • Manhattan Café Theatro – Projeto Poetas Cantadores. Silvério Pessoa e  Maciel Melo – R$ 240 – mesa para 04 pessoas;
  • UK Pub – Uk Band + Tio Fred + DJ Salvador – H R$ 30 / M R$ 20.

Sábado (22/05)

  • Audrey Authentic House. Papaninfa, Discotheque, Dj Teo Lima (House), Dj Baloo (Progressive House) – H R$ 30 / M R$ 20;
  • Bomber Rock Bar – Café Bizarro Rock´N Roll Festival. Lovetoys, Riverside e Demoniah – H/M R$ 5;
  • Burburinho Bar – Solis & Quarteto Olinda – H/M R$ 10;
  • Club NoxWarm Up Glória (seletivas), Banda 7 Graus, DJ Caverna (Ingressos à venda na Levi’s) – R$20 e 40 (casadinha com ingresso pro show do Glória);
  • Dona Carolina - Samba de Luxo, Madeira Delay – H R$ 30 / M R$ 20;
  • Downtown Pub Tributo a Engenheiros do Hawaii com a banda Dom Quixote + Mister MagooH R$ 20 / M R$ 15;
  • Livraria Cultura – Fervo, Frevo. Aula-espetáculo de Viviane Souto Maior – 1 kg de alimento não perecível;
  • Novo Pina (Rua da Moeda) – Comando Delta;
  • Paraíso das Águas – Rave Essential Party. Djs Astrix, de Israel; Oshrat Yoni, DJ Blake Jarrel. Sid, Pateta e DJ Muribi (Ingressos à venda nas lojas Chilli Beans dos Shoppings Recife, Guararapes, Tacaruna e Plaza) – 1º Lote R$ 40;
  • Pedra de Toque – Tributo aos Beatles com a Banda Revolution;
  • Sabor Pernambuco – NE Rock Festival. Shifty Side, Subway, RK8, Forplay, Iris, Write Love, Bring My Angel Felix, All Brothers, Rota23 e Marifield´s – Grátis;
  • UK Pub – Obsession Party – Saturday Night Live. Bora Jhonny, DJ Romero B. feat Gabi Tasso e DJ Salvador – H R$ 30 / M R$ 20.

Domingo (23/05)

  • Livraria Cultura – Salatiel D´Camarão – 1 kg de alimento não perecível;
  • UK Pub - Madeira Delay + D´Breck + DJ Salvador – H R$ 30 / M R$ 20.

TEATRO

  • Corpo-Massa: Pele e Ossos – Direção de José W. Júnior. Coreografia de José W. Júnior, Marcelo Sena e Saulo Uchôa e direção artística de Pedro Buarque, a Cia Etc inicia as atividades do Projeto 10 anos com um espetáculo que retrata um cenário em constante mudança, busca de novas linguagens e paradigmas por propor uma nova abordagem para o ser criador e compreende a constituição do movimento a partir dos ossos e sua plasticidade em cena como signo visual – Centro Cultural Correios – Sex, Sáb e Dom / 12h às 14hGratuita;
  • Quase sólidos – Com direção de Elias Mouret e produção da Trupe de Copas, três atores constroem seis quadros dramáticos sobre o amor, a morte e a cidade, sempre com foco na modernidade e suas tantas variáveis. O espetáculo traz uma reflexão sobre a existência e o tempo e sobre as diversas fronteiras transpostas pelo homem moderno, apresentando-lhe uma infinidade de possibilidades, com todo o prazer e aturdimento como companhia – Teatro Apolo - Sáb e Dom / 20hR$ 10 e R$ 5 (meia).

Estes posts são recorrentes no Mais Que Nada e vão ao ar todas as sextas-feiras, pela manhã.

Rumo ao Nirvana

Por Gerson Quirino em 21/05/2010 s 17:48

O estado natural do mundo é a escuridão. A luz, antagônica, se propõe a destruí-la, mas nunca conseguiu de fato. Nem mesmo o sol tem poder suficiente para impedir que a noite volte mais uma vez. Da mesma forma é a vida. Todo paradoxo é eterno e o lado negativo sempre tem mais força, acredite. A constante disputa do bem contra o mal é apenas uma simbologia do equilíbrio da vida. É fato que o mal é dominante e que o bem, em sua totalidade, é a mais pura utopia. Se o bem realmente tivesse a força que as religiões acham que ele tem, certamente já teria vencido essa disputa alguma vez na história da humanidade. E isto nunca aconteceu.

O mal é o vencedor natural, os problemas, os sofrimentos, as decepções. Nesta história o Golias sempre vence o Davi magrelo. Talvez a esperança libertada por Pandora tenha nos dado a incapacidade de aceitar esses fatos, prolonga o desconforto e só faz as pessoas acreditarem que as coisas podem ser diferentes. É exatamente neste ponto que deveria existir o estado mais puro da consciência.

As coisas nunca foram diferentes. Nunca foram iguais. Isto é possível, ainda que soe um pouco estranho. O que quero dizer é que o mundo é como você ver o mundo. O meu mundo, ainda que seja o mesmo que o seu, são diferentes porque somos diferentes, porque a semelhança entre eles já é a condição de serem desiguais. Externo às nossas concepções e valores, o mundo é o mesmo há 40 mil anos. O que muda somos nós, o mundo não. O que pode mudar é exatamente como lhe damos com as mesmas coisas de sempre, com os mesmos males e as mesmas dores de cabeça. Essa é a idéia fundamental do budismo, que não se propõe mudar o que não se pode, mas mudar a si mesmo como melhor maneira de se tornar menos abalável.

O auto-conhecimento leva a um estado de sabedoria mais ampla, de forma que aprendemos que o sol, incansável, parece desnecessário, simplesmente por aceitarmos a condição do escuro, absoluto e não menos encantador.

p.s: eu não sei nada sobre budismo, ainda. Tudo aí foi inventado, o budismo é só pra sustentar toda essa viagem e fazer com que eu não pareça um louco.

A modernidade e a banalização dos pequenos prazeres

Por Damyhonn Paulino em 20/05/2010 s 7:00

Eu me considero um privilegiado. Ao menos no que diz respeito à época em que vim ao mundo. Não dá pra imaginar, por exemplo, como é viver sem energia elétrica. Mas às vezes me pego com um sentimento exatamente oposto a isso. Meu avô, por exemplo, sabe o que é não ter energia elétrica. Ele que vivia em um engenho de cana-de-açúcar no interior aqui da Paraíba, era incumbido da tarefa de acender as lamparinas da rua sempre que começava a anoitecer. E ele foi feliz assim. Ele, minha avó e meus 11 tios.  Sem celular, sem computador, sem internet.

Nasci em outubro de 1980 e tenho acompanhado uma gama de revoluções desde então. A morte do vinil, do VHS, da carta escrita à mão, do walkman, da caríssima linha de telefone fixo, da máquina de escrever, das pesquisas em dezenas de volumes de uma enciclopédia. Quem hoje em dia sabe que a palavra ‘discar’ um número de telefone originou-se do ato de girar o disco dos telefones analógicos antigos? Quem ainda se lembra de qual mágica fazíamos pra marcar um grande encontro de amigos em algum lugar e todo mundo se achar sem o uso de nenhum aparelho de telefone celular? Isso tudo é muito recente. Mas parece ter ocorrido há séculos.

A má notícia é que essa nossa necessidade por ‘evolução’ só aumenta. E a velocidade cresce exponencialmente. O CD e o DVD nem chegaram à adolescência e já agonizam com seus dias contados. Entenda-se por ‘evolução’ não apenas algo melhor ou engrandecedor. Minhas brincadeiras de criança podem ser motivos de chacota hoje em dia. Bolinhas de gude? Carrinho de lata? A moda hoje em dia são as pulseirinhas do sexo, Orkut, MSN e suas invasões consentidas de privacidade.

Quem já teve o prazer de receber do carteiro uma correspondência daquela pessoa querida, levá-la até o quarto e abrir com todo cuidado, analisar com carinho aquela folha de caderno com as bordas picotadas, sentir o cheiro do papel e saber que aquelas palavras foram escritas exclusivamente pra você sabe bem do que falo.

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