- Tomara que seu dia seja ma-ra-vi-lho-so!!! – É o que ela me diz com aquela cara torta que só ela faz quando é irônica e quer despertar em alguém a fúria do inferno. Eu, como sempre, fingi que nem liguei. Fingi que ela não tinha despertado a fúria do inferno em mim mais uma vez, só pra ela não sentir que tinha conseguido de novo. Ela sempre consegue.
- Eu também te amo, querida! – Digo com um sorriso que parece de um palhaço velho em fim de carreira.
- Ma-ra-vi-lho-so – Ainda repete assim, pausadamente, como resposta pro “eu também te amo”. E o meu sorriso fica mais plastificado ainda. E a minha vontade de pular na voadora em cima dela é cada vez mais incontrolável. Mas eu fingi nem ligar.
Sei que todo dia essa mulher vem com alguma coisa que vai me tirar do sério e por mais que eu me prepare, acabo não conseguindo. Ela é do inferno. Fica me olhando quando eu estou comendo, com aquele espanador na mão e uma cara de eu-sei-o-que-você-aprontou-hoje. Aí perco a fome. Sabe-se lá se a comida tá envenenada e ela só quer rir da minha cara quando eu estiver agonizando.
- Sua barriga cresceu muito depois que a gente se casou! – Ela diz olhando pra outro lado e entortando a boca.
- A sua diminuiu, querida! – Encerro a conversa, mesmo sabendo que ela está 10kg mais gorda.
Agora inventou que o meu carro está uma “banheira velha e suja, igual à dessa casa, que você finge que lava”.
Eu reconheço que não sou um bom marido, mas eu merecia algo melhorzinho… Conviver com ela só me faz ter saudades do General Médice e da ditadura que vivi. Tempos bons…
É isso. Ela já ta me olhando da cama e dizendo pro cachorro que já é tarde da noite e que eu não vou deitar porque prefiro ver essas “quengas peladas da internet”. Vou dormir logo, antes que ela puxe a tomada e queime mais um vez o estabilizador que me custou 200 reais e umas chineladas nas costas. Mulher agressiva…
Bem que mamãe me disse pra eu não casar com essa peste. E eu nem dei ouvidos. Fingi.
Sabe quando você está viajando, naquelas belíssimas estradas sem buracos, com a capota do carro abaixada e o vento batendo em suas, no meu caso ralas, madeixas, onde o horizonte parece ser tão distante e tão perto ao mesmo tempo? Pois é, eu também não… Porém ainda o farei e quando o fizer existe uma coisa que tenho mais certeza do que o destino da minha viagem: no meu carro estará tocando Creedence Clearwater Revival.
Creedence é uma banda formada originalmente e principalmente, pelos irmãos John e Tom Fogerty. Segundo a lenda que criei, um dia John e Tom iam viajar em família e pensaram: “Puxa vida, a única coisa que a gente ouve ao viajar é a música country que o velho toca na caminhonete!”. Então o outro sugeriu: “Que tal a gente fazer uma banda para ser a trilha sonora perfeita de nossas viagens?”. E teve o retorno: “ Móda fóca, dizis à greite aidia!”. Traduzindo: “Que idéia supimpa, querido irmão!”.
A partir de então, começou a história da banda criadora das melhores músicas para se ouvir durante uma viagem. Para mim não tem condições de viajar durante 3 horas seguidas em um (insira aqui o seu meio de transporte) ouvindo pagode e sertanejo. É o tipo de coisa que me faria desistir da viagem. Eu só posso falar de Recife e por aqui a grande maioria da população consome vorazmente qualquer coisa que as rádios populares colocam no ar. Acredito que deveriam ir atrás de coisas novas e fugir da imposição das rádios. Mas isso é assunto para outro post.
CCR (vou chamar assim, o nome é muito longo) é a típica banda que você já ouviu alguma música na vida, para não ter erro procure “Have you ever seen the rain?” é a música Top 10 das orquestras de formatura no mundo. Sem conseguir citar apenas algumascanções de toda a obra do CCR, indico a vocês buscarem o The Best Of deles. Para vocês verem, a única coletânea do CCR que encontrei foi um álbum duplo. É difícil até para a gravadora selecionar as melhores.
Eu sei que muita gente já terá viajado quando esse post for para o ar, mas o Brasil é o país do feriado, no próximo vocês compensam. Se vocês não puderem andar num carro conversível, não se preocupem, coloca a cabeça pra fora da janela do carro, ou ônibus e sente o som, o vento e alguns mosquitos que virão. Só tomem cuidado quando alguém vier na direção contrária, para ele não acertar sua cabeça como quem dá uma tacada na bola de baseball. Aposto que muita gente não vai querer sair do carro e parar de ouvir o som instigante do CCR.
Só para dar o gostinho:
Este tipo post será recorrente antecipando os feriados que estão por vir, portanto não viajem antes de passar no Mais Que Nada. Críticas e sugestões, postem nos comentários. Todos serão lidos.
Andamos pensando sobre o que colocar como texto de abertura do Blog. Tirar o peso das primeiras palavras com uma breve apresentação talvez seja a melhor forma de fazê-la.
O Mais Que Nada dá seus primeiros passos na blogosfera com a intenção de abordar temas diversos como música, cinema, tecnologia, política, atualidades e um monte de coisas desinteressantes que farão parte desse espaço quase tão mutável quanto estes que vos escrevem. Seremos inicialmente em três, como os mosqueteiros ou os porquinhos, se preferirem: todos vagabundos renomados, especialistas anônimos e intrometidos por natureza. Todo texto escrito aqui será totalmente tendencioso e calcado na mais profunda base empírica de nossas experiências sem importância.
Esperamos que este começo seja apenas mais uma etapa das tantas que planejamos até agora.
Hoje, no dia internacional da mentira, damos as boas vindas a todos.