Sobre começos e fins
O homem é por natureza um animal social. Esta frase de Aristóteles é o ponto de partida para o que eu quero expressar. A inerente condição humana de interação social faz com que muitas vezes não saibamos como nos portar diante dos momentos de ruptura deste processo. Numa linguagem mais clara, não sabemos, e provavelmente nunca saberemos, dizer adeus.
A separação de qualquer relação afetiva é cercada de paradoxos, o que a torna complexa demais para ser entendida com simplicidade. Talvez um dos maiores mistérios criados por nossos sentimentos seja a dor da separação e o sofrimento dos lados envolvidos.
Mas porque a tristeza faz parte de todo rompimento?
Alguns estudos indicam que ela é um simples mecanismo de defesa de nossa mente, que nos alerta sobre a proximidade do nosso comprovado maior medo: a solidão.
Sofremos para que tenhamos medo das separações, que nos deixa cada vez mais solitários. Sabemos, é claro, que nem toda separação significa que ficaremos sozinhos, mas leva um pouco de tempos até que a nossa mente se acostume com a idéia. O filme sombrio acerca da solidão move pesadelos comuns a todas as pessoas. A solidão foi poetizada como o verdadeiro mal do século.
Por outro lado, se dependesse de nossos instintos a vida seria uma inércia absoluta, porque somos naturalmente resistentes a qualquer tipo de mudança. Neste ponto, encontra-se um dos grandes paradoxos. O homem é mecanicamente insatisfeito com sua real situação e naturalmente contrário às rupturas que as mudanças exigem.
Por não saber solucionar tanto caos dentro de si, só é capaz de perceber a grandeza das separações olhando pra trás, depois que tudo passou. Então entende que todo fim é o começo de um novo fim. E todo começo vem do fim de outro começo.
É assim a vida e o seu formato cíclico.



Pode ser, mas não necessariamente. Não é uma “lei” da vida.
Arnaldo, a vida por si só já um eterno fragmento. É feita de separação e união, na medida em que percebemos o nosso próprio nascimento como um começo e a morte como um fim de mais um ciclo. Assim também são as coisas. Ou não?
Abraço,