Sobre começos e fins

Por Gerson Quirino em 05/08/2010 às 11:53

O homem é por natureza um animal social. Esta frase de Aristóteles é o ponto de partida para o que eu quero expressar. A inerente condição humana de interação social faz com que muitas vezes não saibamos como nos portar diante dos momentos de ruptura deste processo. Numa linguagem mais clara, não sabemos, e provavelmente nunca saberemos, dizer adeus.

A separação de qualquer relação afetiva é cercada de paradoxos, o que a torna complexa demais para ser entendida com simplicidade. Talvez um dos maiores mistérios criados por nossos sentimentos seja a dor da separação e o sofrimento dos lados envolvidos.

Mas porque a tristeza faz parte de todo rompimento?

Alguns estudos indicam que ela é um simples mecanismo de defesa de nossa mente, que nos alerta sobre a proximidade do nosso comprovado maior medo: a solidão.

Sofremos para que tenhamos medo das separações, que nos deixa cada vez mais solitários. Sabemos, é claro, que nem toda separação significa que ficaremos sozinhos, mas leva um pouco de tempos até que a nossa mente se acostume com a idéia. O filme sombrio acerca da solidão move pesadelos comuns a todas as pessoas. A solidão foi poetizada como o verdadeiro mal do século.

Por outro lado, se dependesse de nossos instintos a vida seria uma inércia absoluta, porque somos naturalmente resistentes a qualquer tipo de mudança. Neste ponto, encontra-se um dos grandes paradoxos. O homem é mecanicamente insatisfeito com sua real situação e naturalmente contrário às rupturas que as mudanças exigem.

Por não saber solucionar tanto caos dentro de si, só é capaz de perceber a grandeza das separações olhando pra trás, depois que tudo passou. Então entende que todo fim é o começo de um novo fim. E todo começo vem do fim de outro começo.

É assim a vida e o seu formato cíclico.

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2 Comentários »

Arnaldo
5 de agosto de 2010 - 17:24

Pode ser, mas não necessariamente. Não é uma “lei” da vida.

 
Gerson Quirino
5 de agosto de 2010 - 17:44

Arnaldo, a vida por si só já um eterno fragmento. É feita de separação e união, na medida em que percebemos o nosso próprio nascimento como um começo e a morte como um fim de mais um ciclo. Assim também são as coisas. Ou não?
Abraço,

 
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