O excremento da mídia televisiva gratuita
Depois de quase três anos trabalhando ininterruptamente, tirei alguns dias de férias. Ainda resolvendo assuntos pessoais, tive que permanecer mais tempo em casa. Nesse período, uma rápida constatação me veio de forma irrefutável: a decadência da TV aberta no Brasil é uma realidade aterrorizante.
Eu já sabia que as coisas não andavam bem, mas a rotina não me permitia enxergar isso de forma mais eficiente. Eu que imaginava que o auge do mau gosto da TV era no domingo à tarde com Faustão e Cia, desconhecia os tantos outros programas de iguais ou piores enredos e apresentadores que nada têm a contribuir a quem os assiste.
A maior parte disso é conseqüência da alienação do povo brasileiro. Analisar de forma pontual a relação das grandes redes de televisão aberta com os milhões de telespectadores é cair no mesmo erro dos políticos que prometem o fim de um mal social sem analisar o sistema que o desencadeia.
O que está errado com o Brasil é a educação. Esse problema é a causa de todos os demais. Educação produz cidadãos mais conscientes, exigentes de seus direito, que votam em políticos honestos, que investem na saúde e segurança pública, que diminui o grau de marginalização, que aumenta a qualidade de vida e o desenvolvimento social, que minimizam (quase anulam) a alienação do povo. Esse ciclo acabaria com esses programas idiotas na medida em que deixariam de ser rentáveis a quem os produz.
Num discurso menos político, alguém pode me explicar como Faustão há tanto tempo tem quase a tarde inteira do domingo só pra ele? Como ele pode ser um dos apresentadores que mais ganha na TV brasileira fazendo um programa inútil como o dele? Como, apesar de tudo isso, ele ainda consegue ser arrogante, prepotente e boçal, ao vivo, pra todo o país? Há algo errado com quem assiste Faustão numa boa, achando ser um ótimo programa de domingo. Digo o mesmo dos seus demais concorrentes como Raul Gil e Gugu.
A produção televisiva é reflexo da demanda exigida pelo povo.
Durante a semana, uma figura específica me chama muito a atenção. O Sr. José Luiz Datena. Eu relutei em falar sobre este, porque acho que não merece nem as palavras escritas por um anônimo como eu. Se existe alguém mais ignorante do que esta figura, eu ainda não encontrei, aceito sugestões. Com um programa policial de baixíssima qualidade, Datena discorre xingamentos a torto e a direito aos atores de um quadro social que está de ponta cabeça. É muito fácil analisar um problema focando apenas o ponto final dele. O Sr. Dantena esquece que estes mesmos marginalizados são frutos de um sistema excludente, de uma má gestão governamental e de preconceitos que ganham força a cada palavra proferida por este senhor. De certa forma, a violência também é culpa do Datena, que nunca saberá disso. A última novidade é que Sociedade de Ateus do Brasil move um processo contra o apresentador por sempre associar o que há de mais sombrio nos atos humanos como sendo praticados por aqueles que não acreditam em Deus. Esta associação distorcida é preconceituosa e falha, como todo o seu programa. A descrença em Deus pode ser apenas uma opção racional e científica (já que a fé não caminha por estes campos), e isso jamais justificaria tantos atos torpes da humanidade (inclusive por aqueles que acreditam em Deus). Datena é o que há de pior, no pior da TV aberta.
Eu perderia muito tempo discorrendo sobre o Zorra Total, Turma do Didi, Silvio Santos, Domingo Legal e outros inúmeros decadentes, mas creio que o sentido do que queria explicar aqui já foi alcançado.
Hoje, TV paga já deixou de ser artigo de luxo. Eu diria até que é uma necessidade à evolução natural dessa espécie que se denomina sapiens. Se não pode pagar por uma, siga aquele velho conselho, desligue a TV e vá ler um livro.



Disse tudo. A tv poderia, com o seu potencial, ser o veículo da educação. O homem é um ser imitador e o que vê na tv aprende e repete, até os crimes. Hoje não consigo mais assisti-la. Durante um mês, não passo mais de uma hora na sua frente.