Pablo Neruda

Por Gerson Quirino em 12/07/2010 às 9:12

Se estivesse vivo, Ricardo Basoalto completaria hoje 106 anos e provavelmente estaria vivendo na Espanha, apesar de participar ativamente da vida política do Chile, seu país de origem. Ricardo foi um dos maiores poetas que o mundo conheceu, ganhou o prêmio Nobel de literatura em 1971por uma poesia que foi capaz de trazer vida aos leitores. Tão logo adotou o codinome Pablo Neruda, escreveu um dos sonetos mais belos da produção poética mundial. Retirado da obra Cem Sonetos de Amor, reproduzo aqui o Poema XLIV.

Poema XLIV

Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio

Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda

Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.

Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo
e por isso te amo quando te amo.

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