Vamos cantar juntos o hino nacional

Por Gerson Quirino em 03/04/2010 às 12:29

Jeitinho era um cara desenrolado. Meio honesto, meio pilantra, sempre se saia bem das situações que os outros tantos tinham se ferrado. Não se sabe de onde veio aquela ginga e malandragem, ele dizia que era fruto das inúmeras apostas e rodas de samba que sempre estava metido. Estava sempre sorrindo simplesmente porque quase nunca houve motivos pra chorar e, mesmo nesses raros momentos, tinha sempre uma carta na manga que o beneficiava.

Um dia Jeitinho decidiu abandonar a vida popular de boêmio e enveredar pela vida mais badalada das figuras políticas. Na eleição seguinte se candidatou a vereador, cuja vitória foi certa pelos amigos de samba e cerveja que já esperavam dele festas e aperitivos depois de eleito. Jeitinho roubou o dinheiro público não surpreso pelo fato de também ter encontrado na Câmara outros Jeitinhos, que também roubavam.

Até que ele cresceu comprando votos. Tornou-se deputado e depois senador. Numa dessas mãos invisíveis, que nada tem a ver com a de Smith e sim a Dantesca (de Dantas, não se confunda), Jeitinho foi traído por um de seus colegas que, por ter o menor quinhão ilícito, colocou a boca no trombone e revelou todo o esquema de desvio de verba. Logo foi instaurada uma CPI que, como as demais, provavelmente não chegaria a canto algum. Jeitinho ficou aliviado com a notícia, ainda mais por saber que sua imunidade parlamentar o deixaria longe do sol quadrado das manhãs penitenciárias.

Atipicamente, ele teve o mandato cassado e os direitos políticos restritos durante um tempo que, segundo seus cálculos, dava pra viver muito bem com o pezinho de meia que havia feito no curto tempo de vida pública.

Isso já faz uns anos e há quem pense que ele não voltará ao Congresso quando terminar o prazo de punição. Mas depois de tudo, cheio de dinheiro, mulheres, samba e toda a convicção de que sempre haverá quem o apóie nas urnas, Jeitinho, que é acima de tudo um brasileiro, não irá desistir assim tão fácil. Sairá mais uma vez candidato nessas eleições, graças à soberana vontade do povo da República Federativa do País da Fantasia.

Atenção: essa história é baseada em fatos reais, qualquer semelhança com a ficção é mera coincidência.

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1 Comentário »

Amanda Queiroz
7 de abril de 2010 - 12:13

Viva Collor! =P

 
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