Vamos cantar juntos o hino nacional
Jeitinho era um cara desenrolado. Meio honesto, meio pilantra, sempre se saia bem das situações que os outros tantos tinham se ferrado. Não se sabe de onde veio aquela ginga e malandragem, ele dizia que era fruto das inúmeras apostas e rodas de samba que sempre estava metido. Estava sempre sorrindo simplesmente porque quase nunca houve motivos pra chorar e, mesmo nesses raros momentos, tinha sempre uma carta na manga que o beneficiava.
Um dia Jeitinho decidiu abandonar a vida popular de boêmio e enveredar pela vida mais badalada das figuras políticas. Na eleição seguinte se candidatou a vereador, cuja vitória foi certa pelos amigos de samba e cerveja que já esperavam dele festas e aperitivos depois de eleito. Jeitinho roubou o dinheiro público não surpreso pelo fato de também ter encontrado na Câmara outros Jeitinhos, que também roubavam.
Até que ele cresceu comprando votos. Tornou-se deputado e depois senador. Numa dessas mãos invisíveis, que nada tem a ver com a de Smith e sim a Dantesca (de Dantas, não se confunda), Jeitinho foi traído por um de seus colegas que, por ter o menor quinhão ilícito, colocou a boca no trombone e revelou todo o esquema de desvio de verba. Logo foi instaurada uma CPI que, como as demais, provavelmente não chegaria a canto algum. Jeitinho ficou aliviado com a notícia, ainda mais por saber que sua imunidade parlamentar o deixaria longe do sol quadrado das manhãs penitenciárias.
Atipicamente, ele teve o mandato cassado e os direitos políticos restritos durante um tempo que, segundo seus cálculos, dava pra viver muito bem com o pezinho de meia que havia feito no curto tempo de vida pública.
Isso já faz uns anos e há quem pense que ele não voltará ao Congresso quando terminar o prazo de punição. Mas depois de tudo, cheio de dinheiro, mulheres, samba e toda a convicção de que sempre haverá quem o apóie nas urnas, Jeitinho, que é acima de tudo um brasileiro, não irá desistir assim tão fácil. Sairá mais uma vez candidato nessas eleições, graças à soberana vontade do povo da República Federativa do País da Fantasia.
Atenção: essa história é baseada em fatos reais, qualquer semelhança com a ficção é mera coincidência.



Viva Collor! =P