Talking About My Generation!
É comum cada geração ter uma banda ou cantor que a represente. A geração da Bossa Nova, Jovem Guarda, Tropicália, Mangue Beat. Cada uma delas tinha seu representante.
Lá pelo distante ano de 1999, uma música era cantada pelos quatro cantos do país: Anna Júlia, uma canção despretensiosa, criada pela banda carioca Los Hermanos. Mas ninguém poderia prever os caminhos que Anna Júlia abriria.
Começando pela própria Anna Júlia, que se tornou o maior sucesso da banda até hoje. Se não me engano, o maior sucesso daquele ano. Era tocada por pagodeiros, sertanejos e axézeiros. É triste, mas é pra você sentir o tamanho do sucesso que foi a música. Eu mesmo cantei uma versão péssima numa festa do colégio, com direito a guitarra, triângulo e reco-reco. Não me pergunte como esses instrumentos podem combinar. Como era de se esperar, saí vaiado. E logo depois foi gravada pelo genial beatle George Harrison. Quantas bandas podem ter esse privilégio? Eles foram copiados pelos piores (eu me incluo) e pelos melhores.
Porém não seria Anna Júlia que determinaria o fenômeno que Los Hermanos se tornou. Após o primeiro disco com uma pegada mais hardcore, a banda nos entrega o Bloco do Eu Sozinho. Álbum genial, com maior influência do samba, inclusive nos metais, que pode ter afastado alguns primeiros fãs do hit-chiclete Anna Júlia, mas criou uma coisa incomum, até então, com outras bandas no Brasil. Um público fiel, que se tornaria o novo integrante da banda, participando de cada música como se fosse a última. Você não precisa nem gostar de Los Hermanos, mas é impossível não se emocionar com a devoção que os fãs do grupo demonstravam em seus shows. Marcelo Camelo praticamente destruía sua voz para conseguir cantar mais alto que o público. Assista a qualquer DVD ao vivo deles e você terá noção do que eu estou falando.
Sucesso de crítica, o disco não teve o mesmo sucesso de vendas do seu predecessor, mas se tornou um marco para todos que gostavam dos LH. Juntos com seus fãs, Los Hermanos tinha amadurecido sua música e isso é que faz uma banda marcar uma geração.
Em 2003, já tinha mudado completamente a forma com que era visto pelo público. Eles lançam Ventura (pra mim o melhor álbum deles) e consolidam seu nome no cenário nacional. Eu lembro que quando comprei o cd de Ventura quase não podia falar que gostava de LH. Cercado de pessoas que ouviam hits do rádio. Depois do colégio dedicava alguma hora do dia para escutar Ventura. Cada música significava alguma coisa pra mim.
Se eu não me engano, ainda em 2003, eles fizeram uma apresentação histórica no Abril Pro Rock, confirmando Recife um dos públicos preferidos pela banda. Passei a freqüentar os shows de LH sozinho. E era maravilhoso. Descarregava todas aquelas músicas como quem dava um grito de guerra. Guerra contra aquela mesmice em que estava a música brasileira, guerra contra a imposição das rádios, guerra contra eu mesmo, meus medos e aflições.
No lançamento do seu último trabalho, 4, eu já não acompanhava todos os shows em Recife. Uma relação afetiva relativamente atribulada, pra não dizer outra coisa, acabou impedindo a minha despedida da banda. Mas continuava a ouvir as músicas em casa, explorando todos aqueles sentimentos inerentes aos anos pré-maturidade.
Sei que LH não teve o mesmo significado para todos da minha idade. Mas os que compartilham comigo este sentimento, sabem do que estou falando. É inevitável perceber a influência que o Los Hermanos trouxe pra MPB que é produzida hoje. O gosto musical que tenho devo muito a eles. Marcelo Camelo, Rodrigo Amarante, Bruno Medina e Rodrigo Barba, quatro nomes que marcaram minha geração. E eu sou da geração Los Hermanos!



Expressar tudo o que eles representam pra mim é quase impossível. Salvou nossa geração que andava morta ao som de tanta porcaria que nem vale citar. A carência era tanta que eu pensava, antes de LH, que Raimundos era a salvação. Daí você tira o desespero…
Realmente, sou suspeta pra falar de Los Hermanos, uma banda que me encanta desde o começo. Às vezes até “esqueço” de escutá-los pela correria do dia-a-dia, mas é só escutar uma musiquinha que todo o sentimento de admiração volta com força!
E uma coisa é incontestável, a banda tem uma admiração incrível pelos fãs de Recife, fazem (faziam, mas ainda devem fazer) questão de tocar em primeira mão aqui.. achava isso o máximo!
Vanessa, isso se deve porque o primeiro grande show deles foi aqui, no Abril pro Rock. Antes disso eles eram apenas mais uma banda carioca. Ficaram impressionados de ver o público indo ao delírio com Pierrot e Azedume. Eu estava lá também e me arrepiei com os carinhas que nem eram barbudos na época…
É verdade Guimarães, no documentário sobre a história do Abril Pro Rock, o LH comenta desse show. As pessoas viradas, sem muito interesse com o que rolava no palco. De repente eles começam a tocar Pierrot e Azedume, o público sem entender o que era aquilo, começa a prestar atenção. Aí a festa começou… O show de 2003 foi posterior, mas eu considero histórico pq eles vieram em agradecimento ao público de Recife. E pq eu estava lá tb. hehehe
Eu odiava LH. Anna Júlia conseguiu isso. Não aguentava aquela música no meu ouvido. Peguei abuso. Por causa disso passei muito tempo para descobrir o LH de verdade. E isso só aconteceu graças aos meus amigos, que me ajudam a tentar superar minha total ignorância cultural(inclusive através desse blog). Hoje fico muito feliz de ter descoberto LH a tempo de poder curtir alguns shows, mesmo que não tenham sido aqueles históricos. Foi muito bom.
Pena que o mago virou pedófilo… hahahaha
Não mais, Malu já atingiu a maioridade… E tu colocaste isso na cabeça e não tira mais, né!? Deixa o cara ser feliz, ele a ama a guria! E ela é linda, calada.
é uma pena minha memória ser falha, mas eu devo ter ido a esse show, faz muuito tempo! é, pra vocês verem como naquele tempo “tudo” ainda era desconhecido e hoje em dia tornou-se uma febre (de mais de 38 graus. hehe)
Fui para um show no Recife Antigo de LH , ainda lembro do rosto ímpio de Marcelo, com o povo cantando Azedume. Parecia que havíamos ensaiado durante meses, era uma sinconia invejável. Nunca vou me esquecer, até hoje quando lembro me arrepio.