Supertramp? What Supertramp?
Minha relação musical com o Supertramp tem uma particularidade interessante. Eu conseguiria tranquilamente montar uma lista de reprodução em ordem cronológica de todos os 11 álbuns de estúdio da banda e ouvi-los seguidamente sem passar uma música sequer. Isso não aconteceria com nenhuma outra de minhas bandas preferidas. Nem o Pink Floyd seria capaz de tal façanha. Sempre que acontece de olhar pra minha biblioteca de músicas e não saber o que escolher pra ouvir, …Famous Last Words… (1982) ou Crisis? What Crisis? (1975) salvam a pátria.
É muito provável que você já tenha ouvido em algum lugar esta música do álbum de 82:
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É difícil definir o estilo do Supertramp. E talvez seja exatamente essa peculiaridade que me fascina tanto. Existe certa neutralidade em suas músicas. Não é necessário, por exemplo, um estado de espírito específico pra começar a ouvir qualquer álbum. Esse também pode ser o motivo pelo qual eu nunca achei outro fã da banda com quem pudesse compartilhar algo. Já encontrei, porém, diversas pessoas que não titubearam em falar que a odeiam, que é um som muito ‘mamão com açúcar’, que falta uma guitarra de expressão, enfim. E, apesar de concordar com eles, sua música não deixa de me agradar.
Embora teoricamente na ativa, a popularidade da banda hoje em dia se restringe a grupos de fãs ou simpatizantes. Mas não foi sempre assim. Entre o final dos anos 70 e início dos anos 80 seu sucesso foi assombroso. O álbum Breakfest In America (1979) permaneceu por 10 semanas em primeiro lugar na parada da “Billboard” e 22 semanas no “Top Five” dos discos mais vendidos nos EUA (mais de 18 milhões de cópias em todo o mundo). Seus hits “The Logical Song“, “Goodbye Stranger“, “Breakfast in America” e “Take the Long Way Home” estiveram entre as músicas mais executadas nas rádios do planeta naquele ano.
A banda conta também com membros icônicos. Além dos consagrados líderes e mentores Roger Hodgson (que saiu da banda pra seguir carreira solo após o álbum …Famous Last Words…) e Rick Davies, o saxofonista John Helliwell é considerado um dos artistas mais carismáticos do showbiz. John conta que num certo show, pouco antes de subir ao palco, estava andando próximo do público quando um rapaz perguntou: “Será que esses caras são tão bons ao vivo quanto no estúdio?”. John respondeu: “Sei lá! Na verdade nem gosto muito deles!”.
Em pouco mais de 40 anos de carreira e 70 milhões de discos vendidos, o Supertramp inegavelmente marcou a história da música, emplacaram hits, influenciaram gerações. Sua versatilidade nas criações, aliada a belas letras e grande refino musical são características que colocam a banda em um patamar superior em minha opinião. Não é qualquer grupo que arrisca aventurar-se por tantos estilos e com tanta maestria, produzindo desde o mais refinado rock progressivo em seu início de carreira, passando pelo pop, blues e jazz em seus trabalhos mais recentes. Recomendo.


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