O gato

Por Gustavo Massud em 06/04/2010 às 1:53

Edu e Raquel era o típico casal feliz. Por sinal, motivo de brigas entre outros casais, pois algumas namoradas comentavam: – Nós podíamos ser que nem o Edu e a Raquel!

Nada parecia poder destruir a felicidade deles, até um dia em que…

Saindo da festa na casa do Bochecha, Edu e Raquel foram pegar o carro no estacionamento. Raquel de pronto fala:

- Edu, você está embriagado, vamos voltar de táxi!

Edu, já adentrando o automóvel responde com a consciência de quem bebeu uma garrafa de whisky sem gelo e num gole só:

- Bêbado, eu? De jeito nenhum. Pra que lado fica nossa casa mesmo?

No caminho, os dois conversam civilizadamente e dentro do limite que o álcool poderia deixar qualquer um deles dialogar de uma forma pertinente.

Até que, de repente, Raquel grita:

- Edu! Cuidado com o ga…

Era tarde demais. Edu, como se nada tivesse acontecido, retruca:

- Cuidado com o quê, amor?

- Você acabou de passar por cima de um gato!

- Sério? E ele morreu?

- Não sei, Edu. Você não parou para olhar. Provavelmente ele tenha morrido.

- Não se preocupe, o gato tem sete vidas.

- Olhe, você sabe que eu não gosto dessas brincadeiras. Ele era um gatinho indefeso e você foi lá e passou por cima dele, sem dó, nem piedade.

- Eu não vi, meu amor. O que eu poderia fazer?

- Poderia ter prestado atenção na rua, ao invés de ficar falando baboseira.

- Mas você estava conversando comigo!

- Agora então a culpa é minha? Você que está dirigindo e a culpa é minha?

- Não é isso, eu só quero… Esquece! Qual era a cor do gato?

- De que isso importa?

- Qual era a cor do gato, Raquel?

- Preto!

- Tá vendo!? Gato preto no escuro. Ele quis morrer.

- Edu, já mandei você parar com essas brincadeiras.

- Além de tudo, gato preto dá azar.

- Exatamente! Se ele já dá azar vivo, imagina morto!

*******

Duas semanas depois do ocorrido, a relação de Edu e Raquel já não era a mesma. Eles discutiam todo dia, sobre os motivos mais insignificantes. Era evidente até para os amigos que o casal mais feliz da turma estava passando por uma crise.

Então Edu, durante a pelada do fim de semana, abre o coração para os amigos e conta toda história. Alguns ficam bem tristes, pensando: – Se o Edu, que tinha o casamento mais feliz da galera está em crise, nós estamos lascados!

O Edu não poderia entrar numa crise de relacionamento, seria o fim da crença de que poderia existir um casamento feliz no mundo. Então, Bochecha sugere:

- Edu, porque você não compra um gato?

- Um gato?

- É, compra um gato e dá de presente à Raquel! Ela irá gostar.

- Eu sou alérgico ao pelo de animal.

- Edu, você prefere não salvar seu casamento a ter uns espirrozinhos de nada?

- Você está certo! Vou fazer isso, já!

- Ei, mas vê se compra um gato branco. Assim compensa a má sorte do preto.

*******

Edu chega em casa com o gato em seus braços e Raquel não entende nada:

- O que é isso, Edu?

- É um gato, não está vendo? Comprei pra você!

- Por quê?

- Porque eu te amo e quero terminar essa crise.

- Qual o nome dele?

- Marrom.

- Como assim Marrom? Ele é branco!

- Pois é, viu que engraçado!?

Depois de tanto tempo, Edu finalmente tinha conseguido tirar um leve sorriso do rosto de Raquel. O casamento parecia voltar ao normal.

Mas a vida é uma caixinha de surpresas (Joseph Klimber?). Certo dia Raquel foi visitar a sua família no interior, deixando Edu e Marrom sozinhos em casa.

Então Edu, convivendo 24 horas do dia com o Marrom, começa a sofrer de uma crise alérgica. Dá um espirro muito forte e assusta o Marrom, que se joga da varanda do apartamento. Treze andares de queda livre. Era uma vez o gato.

Ao chegar do interior Raquel recebe a notícia da morte de seu gatinho. Ela não se conforma e diz que o Edu é um assassino de bichanos.

O casamento não suporta mais essa perda e duas semanas depois eles estão no tribunal oficializando o divórcio.

Raquel aparenta estar decidida, demonstra coragem e ainda acusa o seu ex-marido para o juiz:

- Vossa Excelência, ele é um serial killer de gatinhos!

Edu não se conforma e reflete:

- Porque eu não voltei de taxi daquela festa?

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7 Comentários »

Anderson
6 de abril de 2010 - 13:23

algo de autobiográfico?

 
Gerson Quirino
6 de abril de 2010 - 14:23

Tem sempre um gato na vida de todo mundo…

 
Guilherme Muniz
6 de abril de 2010 - 15:56

Gato preto….
Homenagem a algum amigo?

 
Luiza Akemi
6 de abril de 2010 - 16:25

- Gato preto no escuro. Ele quis morrer.
homens são todos iguais!!! :p

 
Amanda Queiroz
7 de abril de 2010 - 11:50

Gato preto, interessante isso… hahahaha

 
Diego "sangue"
7 de abril de 2010 - 23:06

To achando realmente que algum amigo foi homenageado…

 
Elaine Jardim
20 de abril de 2010 - 13:40

Hehehehe… esse gatinho não surgiu por acaso.

 
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