Marcelinho Matador
Era um grupo de amigos. Rominho, Jorginho, Carlinhos e Marcelinho. Todos se conheciam desde criança e todos compartilhavam do mesmo sonho: ser jogador de futebol.
Não existia uma partida a qual os 4 garotos não assistissem e não existia uma pelada que eles não participassem. Todos eram ávidos pela bola. Jorginho jogava na zaga, assim como seu irmão Carlinhos. Formavam a dupla mais difícil de passar nas redondezas de Boa Viagem, porque se eles não conseguissem parar a jogada na lealdade, paravam na maldade.
Rominho tinha um talento especial e não era com os pés e sim com as mãos. O goleiro menos vazado das temporadas entre 2000-2004. Ele não tinha limites, se jogava em toda bola. Muitos brincavam que com sua elasticidade ele poderia fazer parte do Cirque du Soleil.
Mas nenhum deles tinha o talento de Marcelinho. Ah, Marcelinho… Um craque, conhecido nas peladas como: Marcelinho “matador”. Com Marcelinho não tinha cerimônia, a bola vinha no pé, ele “matava”, a bola vinha no peito, ele “matava”, até de cabeça ele “matava”. Mas quem ele “matava” mesmo eram os goleiros adversários. Seu chute era comparado com o do grande jogador cruz-maltino, Roberto Dinamite. Mas o Dinamite não tinha a habilidade do Marcelinho, de jeito nenhum. Marcelinho, se quisesse, entraria em qualquer grande time da capital.
Pior, o Marcelinho acreditou no que todos achavam e resolveu investir na carreira de jogador profissional. Não foi. Humildemente, tentou times como Flamengo, Corinthians e até o Santa Cruz. Marcelinho acreditava que se não entrasse no Santa Cruz sua carreira não teria mais sentido. Não entrou. E nesse tempo foram 4 anos dedicados exclusivamente ao futebol. Quatro anos jogados fora.
Enquanto seus amigos hoje são chamados de Dr. Rômulo, Dr. Jorge e Dr. Carlos, o Marcelinho continua sendo “inho”, mas ainda não perde uma partida. Continua com a mesma fama de “matador”, de pelada. E só.



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