Get up, stand up…
Era como se eu nunca tivesse escolhido os caminhos que eu ia percorrer. Tudo se passava bem próximo às paredes brancas daquele quarto que cheirava sempre a incenso de erva-doce. Eu nunca quis estar ali, nem janelas havia. Não tinha nada de atrativo. Havia um sofá velho no meio do quarto e uma luz forte no teto que clareava muito as paredes. Era tudo claro, menos o sofá que era bem velho. E preto.
Eu batia com força na porta com esperança que alguém pudesse me salvar daquele quadrado que encolhia a cada grito. Com movimentos pesados eu me dava sempre por vencido. Sentava no chão frio, descontente, pensando ainda na janela. Ou na ausência dela.
Sempre nessa hora a voz de Julia me sugava desse delírio como se eu fosse um pedaço de seda, talvez a mesma que queimava no cigarro. Aos poucos ia voltando pro meu quarto entre fumaças e o sorriso bobo no rosto dela. Aliviado, percebi que as paredes eram amareladas e, ainda que o sofá preto me incomodasse, por trás dele eu via, feliz, a fumaça sair por uma janela imensa que dava pro mar de Boa Viagem.



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