Ele tinha um sonho…
No ano em que os Estados Unidos registrariam o maior índice de suicídios de sua história, na grande depressão econômica, o Pastor Martin e sua esposa Alberta comemoravam a chegada do filho, que abria os olhos pela primeira vez no Estado da Geórgia, sul do país.
O pequeno Martin ainda era conhecido como Jr., quando se deu conta de que não era apenas mais um de tantos negros alvos de preconceito e exclusão social, tão difundidos naquela região há pouco majoritariamente escravista. Estudou em escola pública destinada aos meninos da mesma cor que a sua e dava seus primeiros passos no envolvimento de causas políticas e sociais, influenciado pela forte religiosidade herdada da família. Formou-se em teologia e concluiu o doutorado em Filosofia, pela Universidade de Boston, aos 26 anos de idade.
O pequeno predestinado havia crescido e agora era conhecido por Martin Luther King Jr.
Sua liderança ganhou força popular entre os negros que lutavam pela defesa dos direitos civis. Depois que Rosa Parks, uma mulher negra, foi presa por se negar a dar seu lugar em um ônibus para uma mulher branca, Luther King denunciou a segregação racial nos transportes públicos e liderou um boicote contra os ônibus da cidade, que vigorou por mais de um ano. Foi preso pela primeira vez, por desordem pública, mas depois de tamanha repercussão, a corte americana concedeu sua liberdade e oficializou a ilegalidade do racismo nos veículos públicos.
A primeira prisão levou à primeira grande vitória. A partir daí, seria essa a dinâmica: incomodado pelo silêncio dos justos e sem se amedrontar com ameaças e atentados contra sua vida e as de sua família.
Martin Luther King já admirava os ideais de protestos baseados na não-violência, difundidos por Ghandi do outro lado do planeta. Em 1963, depois de ter sido preso diversas vezes, organizou a “Marcha para Washington”, momento histórico que mobilizou mais de 200 mil pessoas em busca de seus sonhos.
Na escadaria do Memorial Lincoln, proferiu o mais conhecido e emocionante discurso político já visto. I have a dream influenciou a maior mudança social da república estadunidense. Os direitos ao voto, o fim da segregação e das discriminações no trabalho foram implantadas às leis americanas nos anos seguintes, fato que o conferiu o prêmio Nobel da Paz e influencia até hoje os ideais de igualdade racial em todas as partes do mundo.
“Eu tenho um sonho que um dia minhas crianças viverão em uma nação onde não serão julgadas pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter”
Ontem fez 42 anos de seu assassinato. James Earl Ray foi preso e condenado a 99 anos de prisão. Um pouco antes de morrer, em 1998, James soube que havia acabado com a vida de mais um homem que “lutou com toda a força pra salvar a sociedade de si mesma”, mas nunca teve a dimensão que nem o tempo foi capaz de apagar os ideais que ainda ressoam nos dias hoje.
Por trás de toda a revolução cultural, liderança e sede por justiça, o pequeno Jr., no fundo, queria apenas ser tratado igual aos outros meninos brancos, que andavam no mesmo ônibus que ele.



Olá Gerson,
Parabéns pelo blog…
Bem informativo e dinâmico.
Grande abraço!
Ele nem queria isso! Queria sonhar em ver um presidente negro, eu acho…
“Eu tenho um sonho que um dia minhas crianças viverão em uma nação onde não serão julgadas pela cor de sua pele, mas sim pelo conteúdo de seu caráter”…
Obama era essa criança. MLK estaria orgulhoso, né não?!
Ele queria a igualdade racial dentro de todos os campos de atuação do homem. A presidência, como todos os outros cargos públicos, seria mais uma consequência desse sonho. Além de que, em 63, imaginar que o mundo veria Obama presidente seria inimaginável.