Ainda cheira a espírito adolescente
16 anos talvez tenha sido justamente minha idade mais adolescente, na essência que é esse estado de espírito. Criar ídolos, rejeitar ideias que fugissem de minha concepção do ‘ideal’, dormir com ideias revolucionárias e acordar odiando tudo. Esse turbilhão hormonal que nos torna tão bobos e inconsequentes é realmente um pé no saco. Mas talvez por ser uma solução da natureza para adaptar nossa fisiologia a uma posterior maturidade, tenhamos mesmo que passar por isso.
Hoje, com meus 29 anos, afirmo com certeza que se fosse escolher uma trilha sonora para o filme dessa fase de minha vida, Smells Like Teen Spirit e seu riff marcante teria seu lugar mais do que garantido. Kurt Cobain foi um mestre, mesmo que de forma involuntária, na arte de transformar suas angústias particulares em motivo de revolução juvenil no início da década de 90.
Esta semana (dia 5) completam-se 16 anos de sua morte. Vocalista, guitarrista e compositor do Nirvana, Cobain foi um garoto tímido e quieto, que cresceu enfrentando problemas pessoais e familiares para então vir a mudar o mundo, sem necessariamente ter desejado isso.
Confesso que não lembro a última vez que ouvi novamente um álbum do Nirvana, mas é inegável a força de sua arte ainda nos dias de hoje, embora o resultado completo deste movimento seja impossível de mensurar.
Eu, sendo um legado dessa força, afirmo categoricamente que devo muito do que sou hoje a Kurt. Meu desejo incontrolável de aprender a tocar guitarra, minhas gargalhadas interiores enquanto cantarolava Rape Me sabendo que ninguém ao redor entenderia ou até acharia uma bela canção, a descoberta de novos horizontes musicais, o egresso de uma vida de marasmo regada a videogames para novas aventuras liderando bandas de rock na garagem de amigos me tornaram uma pessoa completamente diferente. E pra melhor. O amadurecimento cresceu de forma exponencial.
Não é necessário enumerar os feitos do Nirvana ou o impacto do álbum Nevermind na cultura social dos anos 90 para exemplificar meu ponto de vista. Talvez o entendimento pleno seja maior por quem tenha vivido esta essência. E isso de certa forma até me conforta algumas vezes em que me pego desejando ter nascido no tempo de meus pais. É uma boa terapia para contornar a desilusão de não ter vivido e sentido o movimento hippie dos anos 70.
R.I.P. Kurt!



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